"In Sinu Matris"
“In Sinu Matris” é uma exposição que se divide em duas partes. Numa primeira fase encontram-se 17 imagens, subordinadas ao corpo
humano. O segundo pólo da exposição consiste numa instalação de cinco imagens, a preto e branco, com o som do bater do
coração.
No texto introdutório do catálogo, Margarida Medeiros, professora de História da Imagem na Universidade Nova de Lisboa, afirma
que o fotógrafo trabalha, na primeira fase, “o carácter não ingénuo da imagem, bem como a sua versatilidade. Mário Cabrita parte de
pequenas imagens fragmentadas de um corpo humano (ou de vários): orelha, mão, seio, braço, dedos do pé, (...) onde tudo começa.”
Nas palavras de Margarida Medeiros, as imagens do segundo pólo “foram obtidas através da exposição do corpo do artista, num
aparelho de ressonância magnética, resultando em cinco poses diferentes, consoante a rotação do corpo. O facto de aqui as imagens
serem, naturalmente, a preto e branco, e vistas numa semi-obscuridade, acompanhadas do som do bater do coração, recria um
ambiente intra-uterino”.
Para a professora universitária, “a forma estética encontrada por Mário Cabrita Gil neste projecto revela o conflito pelo sentido vivido
minuto a minuto no mundo contemporâneo, cercado por imagens onde a morte é simultaneamente afirmada e negada, conduzindo o
homem numa fuga para a frente. Mas não há para onde fugir – do corpo”.
